Controlando Pensamentos

Me pego observando cegamente para a Lua, falo cegamente porque estou apaixonado pela sua beleza e simplicidade, elas sempre está ali, mas nem sempre consigo me permitir a observa-la, assim como muitas coisas da vida. Crio novos métodos de viver, mas ainda me identifico com o velho lobo solitário, acho que sou um pensamento mutável na vida das pessoas, seria apenas passageiro?

A fumaça sobe e ainda estou com esses pensamentos, lidando com a solidão de se identificar apenas comigo mesmo, tento me desprender de coisas como sonhar em ter uma família ou todo aquele blabla de propaganda de margarina. Tem horas que me pego na vontade de apenas fugir e começar a vida desde o início, isso seria fácil se não tivesse tantas complicações, ou melhor, apenas uma para tudo ainda devemos ter dinheiro.

Mais uma cerveja na minha conta imaginária, brinco que poderia existir um garçom apenas para me servir garrafas enquanto fico sentado na varando, ainda observando a Lua, afinal foi ela que me deu vontade de escrever. Será que estou na companhia dela ou me sentindo só por estar apenas na dela?

Apesar de estar com todo esse drama, sinto que tenho tido menos momentos de reclamações e ainda mais de sorrisos, mas ainda me falta um sorriso exclusivo, talvez deva me contentar apenas com o meu, talvez.


Se permitir ainda é preciso?

Me questiono mais uma vez sobre o quanto eu preciso me permitir para viver ou deixar alguém me acompanhar, mas a essa altura já é óbvio que eu não sei mais fazer isso. Me pego na minha maldição de analisar todos os fatos, detalhes, palavras e atos, crio diagnósticos doentios de um modo de enxergar que nada e nem ninguém me surpreende, seria possível isso ainda acontecer?

Os dias passam e ainda me pego dando conselhos para uma amiga sobre “tem que se deixar viver”, haha que puro hipócrita que eu sou, um metido a sábio da vida, que babaca não? Como posso dizer para alguém viver, se eu não me lembro da última vez que me permiti a tal…

Observo pessoas paradas no sinal para atravessar em uma faixa de pedestres, engraçado, mas eles tem a mesma idade que eu, e incrivelmente soltam imensas gargalhadas, brincam e realmente parecem curtir a vida. Um tapa na minha cara! Pode até ser que eles estejam em um raro momento de felicidade, mas não me lembro do meu último sorriso ou gargalhada real e impulsionada por algo natural…olha eu…analisando novamente.

Como odeio essa maldição, tento encontrar algum modo de me reprogramar para isso não acontecer, mas já virou uma droga, e não uma droga feliz e sim uma droga de pessoa ranzinza…totalmente ansiosa por papos que agreguem o espíritom cansado de olhar para o mesmo e se não bastasse se entediar com isso…ele adora reclamar sobre. Patético vício!

Tento não me tornar um ranzinza, tento olhar para o lado com menos filtros, mas eles já estão viciados em cada reflexo de olhar, parece que tudo segue o mesmo sentido, se alguém faz algo é fácil prever o próximo movimento, maldita análise do senso comum. Me pergunto mais uma vez sobre como mudar esse devaneio constante em meus dias.

Talvez o problema seja eu, o que fazer para mudar o que eu realmente atraio, mas a grande pergunta é…como? Não existe uma válvula ou um botão que nos faça a partir de agora começar a se surpreender com as coisas. Me afogo em livros e filmes, talvez seja uma sede de conhecimento para atrair mais conhecimento, pessoas e fatos interessantes? Tento me reformular, corto tudo que me faz mal, mas mesmo assim me falta o que faz bem.

Me embebedo, tento esquecer os filtros de análise, mas logo depois disso vem o meu velho problema. Se eu me permito a ter coisas boas, também estou preso no problema de me permitir a coisas ruins. E ai parece que tentam me derrubar, me pego observando em quanto o mundo tenta te fazer sentir menor, seja em relações de amizade ou em qualquer outra coisa. Digo amigos, porque é ridículo como hoje não existem piadas ou brincadeiras saudáveis…existem apenas deboches e ostentações sobre o quanto o outro é pior que alguém ou até mesmo você. O que nos tornamos?

Dou meia volta e chego em minha casa, paro por um momento…encho meu copo, pego meu livro e tudo volta ao início, tento esquecer tudo, mas ainda vem alguns pensamentos sobre todo estas perguntas, principalmente a de “como se permitir?”. Talvez a resposta seja a pequena mudança de jamais me questionar sobre como fazer isso e sim deixar acontecer…


Apenas passageiros.

Entro no metrô e escolho a poltrona com a melhor visão para o resto do vagão e observo cada ser que me faz companhia em aquele breve momento cotidiano, olho para todos os lados e não vejo sorrisos, muito menos uma áurea de felicidade. Vejo seres calados, cansados e presos em aparelhos celular, não que eu não acabe olhando o meu de vez em quando, mas olha o quanto eles se prendem naquele pequeno mundo, parecem patéticas máquinas programas para trabalhar, dormir e depois novamente trabalhar.

Saio daquele vagão e caminho rumo a rua e passo pelas escadas rolantes, o ambiente mudou, porém o semblante não. Será que felicidade é algo tão exclusivo? Será que todos estão presos a uma rotina e será que é tão difícil tentar olhar um pouco para fora do seu próprio mundo?

Eles caminham, marcham para o mesmo de todos os dias, talvez alguns só estejam cansados, mas talvez sejam programas para isso mesmo, marchar e marchar para uma estrada vazia onde em algum lugar chamaram de paz, mas o que é realmente essa paz vendida para estes seres? Seria o tal do dinheiro? A compra de um conforto? Ou apenas uma utopia?

Será que devemos mesmo trabalhar para algum dia não ter contas, será que isso é possível? Ou apenas deveríamos aceitar o fato que os preços sempre vão aumentar, as contas sempre estarão lá e sempre você terá que trabalhar para isso? Não que seja algo que devemos viver constantemente e sim agradecer por conseguirmos viver e neste tempo da “rotina” devemos tentar olhar para o lado, sair da nossa programação de simples e patéticas máquinas tediosas.

Prossigo o meu caminho…consigo sair do subterrâneo, a expressão dificilmente muda em todos os rostos, mas vejo pessoas dançando uma música…olho com calma e percebo que são senhoras se deliciando uma música típica do seu país oriental, mas o mais engraçado é que elas não tem nenhuma vergonha de demonstrar isso…é realmente lindo de se ver, porém…escuto aqueles seres vazios, sim aqueles iguais ao metrô. Eles caminham em volta desta pequena celebração das idosas e comentam: “que ridículo, será que esse povo não tem o que fazer?”

Paro um segundo para pensar no que eles realmente disseram e vejo que qualquer coisa que seja um risco a sua rotina, um pingo de felicidade alheia, chega incomoda-los. Incrível o ponto que chegamos, por que tudo que não temos capacidade de fazer, por vergonha ou preguiça, se torna algo ridículo?

Me questiono sobre tudo isso, e vejo que não tem solução quando não se quer ter algo para solucionar, se tornou normal reclamar e criticar, virou rotina tentar transformar tudo que é legal ou diferente em chato ou bizarro, temos uma capacidade enorme de diminuir os fatos para iguala-los a nossa felicidade, mas dificilmente conseguimos crescer para sermos igual o que está fora da rotina, o que se diz feliz…é temos muito que pensar, afinal espero que estes momentos…sejam apenas passageiros.


Carrossel

Me pego oscilando em algumas raras lágrimas que sofrem para conseguir sair, sinto uma solidão terrível que apunhala o meu peito, talvez tenha ficado mal acostumado com uma companhia. O ar suspira mais pesado e o otimismo se torna cruel, apenas por parecer cada vez mais uma falsa esperança, uma distração infantil de que tudo vai mudar. Fumo o terceiro cigarro do meu dia, parece pouco, mas ele me desce amargamente pela garganta que anseia por gritos de fuga de uma realidade devaneada, onde a cada momento quero fugir para um novo além da minha calçada, um mundo na qual consiga recomeçar. Mas o medo me barra e a cada pensamento de ter que criar tudo que eu fiz a partir do marco zero, pode ser assustador.

Uma bela brisa ao olhar o luar da minha janela, o mundo realmente não seria tão ruim se apenas fosse natural, mas o que é natural…quando falamos da natureza humana? A cada dia mais vejo que ela é simplesmente “ego”, egocêntrica e egoísta de um modo geral. Bizarro pensar sobre isso, mas poucas vezes tive a prova que isso pode ser diferente, até mesmo eu me pego utilizando algumas delas. Será que existe como reaprender a conviver com outras pessoas, sair dessa fórmula “ego” e ser aquele clichê de sempre querer fazer o bem? Será que é possível nos reprogramarmos ou teríamos que mudar tudo que está ao nosso redor?

Algumas vezes preciso apenas colocar a cabeça no travesseiro e tentar eu mesmo ser a mudança no mundo, mas não é fácil, são muitas barreiras e ainda me resta aquela solidão, aquela do começo daquelas palavras…olha eu ai…reclamando mais uma vez de mim mesmo, o vulgo carrossel do “ego”.


Longe?

Sento em minha escada, penso em tudo o que tenho passado e vivido desde o dia que eu decidi viver apenas para mim mesmo, bebo mais um gole de cerveja, um trago e outro naquele cigarro que ontem me disseram que eu deveria parar. Tudo se reflete em pensar, como é possível alguém me surpreender em apenas poucas horas…pausa para mais um trago.

Decido colocar uma bebida mais forte e ver se a minha mente se desvia um pouco para o hoje, mas ela se para naquela sexta-feira nada planejada, aquela que eu acordei esperando o dia comum e pouco dormi pensando no quanto ela me encantou apenas com o natural.

Olha só, estou com saudade dela, do sorriso e das “palavras falsas”, ah sim, achei aquela garrafa de whisky e mesmo assim não desvio meu pensamento de o que pode ter acontecido.

Ainda estou extasiado, mas ao mesmo tempo ansioso e entristecido, terei que esperar por muitos dias para ter algo igual, ou apenas guardar este na minha mente, odeio não conseguir e saber que me privar de planejar será a melhor opção.

Olha só, aquele famoso clichê do “deixa rolar” em conflito com a babaquice do “se permitir”. Ah coração gelado…você é mais mentiroso do que eu seria me enganando ao pensar que ninguém pode entrar em minha vida e deixar saudade.

Pura ironia, a noite chega e sei que essa hora, você pode estar indo para uma experiência nova de vida, e sim a muitos quilômetros do meu olhar, mas jamais distante do meu pensamento…é melhor mais um trago e a esperança de que dias perfeitos não sejam tão raros, assim como a nossa madrugada.

Que sejam ambos naturais e com a pureza de um simples encontro de dois “desconhecidos”.


O devaneio de uma derrota

Aquela sensação de derrota após magoar alguém. Parece uma falha na missão de trazer felicidade ao mundo, me sinto um lixo por ser o causador do mal alheio. É a vida de nobres corações que se despedaçam atrás de um que não tem nem metade da bondade deles, algo frio, uma transformação de algo que foi alterado por uma grande frustração.

Vivemos uma guerra sobre o que é viver, mas as feridas às vezes podem demorar anos para se curarem ou até mesmo podem criar cicatrizes que nunca querem correr o risco de serem abertas. Fumo um cigarro e tomo uma mais uma cerveja, é incrível como em cada dose e fumaça a minha alma se vai para longe do corpo. Ela simplesmente se extrai, se torna vazia.

É um vazio é o meu terrível pesadelo sobre o destino que se forma em cada fraqueza, que para alguns pode ser considerar força, mas até onde conseguimos viver sem coração. Ainda tento leva-lo para frente, mas confesso que está cada vez mais de encontrar-lo, não sei o que eu tenho, talvez seja apenas um pedaço de carne por traz do peito.  É talvez…

Ah, seu velho bêbado! Você está se perdendo. Tem que se levantar, é preciso…mas por favor se for fazer algum mal, guarde-o apenas para você. Deixe os puros e nobres corações viverem da melhor forma, a distante de você.


Romance falido

Crise existencial de primavera, ela pode vir por dias monótonos ou uma gripe causada pela grande mudança de temperatura entre as horas. Nunca sabemos o que esperar das pessoas, se elas podem nos dar a mão ou nos apunhalar não pelas costas, mas com palavras para se sentirem superiores em de alguma maneira neste mundo egoísta.

Nos mantemos com o pé no chão, sim eu e a  minha consciência, aquela que fala comigo entre um copo e outro. A noite tem, e com ela uma rajada fria de chuva e ventania de corações amargurados na cidade cinza que pode se chamar de São Paulo, cidade grande, capital dos tristes e desolados por sempre estarem distantes dos seus sonhos juvenis.

Escutamos músicas, ídolos que tiraram sua própria vida; algo para se refletir. É engraçado ver que a grande maioria deles eram românticos, será que ter romance em suas palavras se tornou uma utopia. Talvez, hoje as pessoas não entendem a pureza de um elogio ou apenas de uma simples conversa entre dois seres de diferentes sexos, ou como a modernidade anda liberta pelo menos em alguns fatores. diálogos entre o mesmo sexo. Elogiar alguém se tornou reflexo de segundas intenções, perguntar sobre a vida do outro é sinônimo de querer levar para cama. Meu deus, em que momento a pureza da paixão se perdeu apenas para o tesão cotidiano.  Será que hoje é impossível querer ter alguém apenas por gostar da companhia?

Penso se somos vítimas da velocidade em que as tecnologias e redes sociais trouxeram para as conversas e relacionamentos entre duas pessoas. Será tudo a relação de um status, um comentário ou um curtir em algum comentário ou foto. Mais um trago no cigarro para evitar a expressão “vomitando de pena pela vida alheia”. Mudo de pensamento, tento decifrar a falta de inocência das pessoas. Ato em vão…voltamos ao mesmo fator de pureza. É…talvez eu entenda porque os românticos desistiram da vida, não concordo em tirar-la, mas entendo que isso pode ter sido uma saída para a frágil mente de uma pessoa fragilizada pelo que o ódio e egoísmo trouxe para o mundo.

Provavelmente um coração triste reflita em mentes frágeis, mas precisamos bombeá-lo de esperança, possível solução para não vivermos nos lamentando pela falta de humanidade em cada um. É aquele coisa se ainda pensamos em tentar ajudar as pessoas em encontrar a pureza e felicidade em apenas viver de bem com eles mesmos, sem diminuir ninguém…acho que temos que ser egoístas em começar este projeto com apenas nós mesmos. Quem sabe isso seja contagiante, é quem sabe…mais um cigarro e uma garrafa de cerveja.